segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Os elefantes...

...foram viajar, visitar outras paisagens, essas coisas que os elefantes fazem.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Fim de semana iluminado

Passei um fim de semana incrível em Caçapava. A maior parte dele com a família e desfrutando do pouco tempo que tenho para conversar com meu irmão sobre coisas bonitas, boas e verdadeiras.


Encontrei no orkut dele um texto que escreveu em 16 de julho desse ano numa das suas viagens entre rios (do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul). Gostei muito e peguei emprestado sem pedir consentimento (Gui, se não gostar, me avisa que deleto). Meu final de semana foi tão iluminado quanto este texto:




"Vou narrar um fato interessante que me aconteceu durante o dia o qual servirá de background para uma pequena reflexão.

Tudo começou ontem à noite, em minha casa no Rio de Janeiro. Como no dia seguinte (hoje) faria minha viagem de férias para minha terra natal e costumo esquecer religiosamente algum acessório de maior importância, optei por já ir fazendo uma lista das coisas que iria pôr na bagagem pela manhã. De manhã bem cedo, fiz então minha mala com base nesta pequena lista e então segui para o aeroporto satisfeitíssimo com o sucesso de minha "estratégia de auxílio à atenção". Já na fila do check-in dei-me por conta que toda aquela precaução havia culminado no esquecimento de algo que infelizmente é essencial: a carteira de identidade!

Naquele momento, fui tomado por uma profunda angústia. Exclamava-me internamente: -Que coisa, todo o cuidado que tive dessa vez! Seria melhor que tivesse esquecido intencionalmente a escova de dentes, sei lá... (bem que aí não seria esquecimento e eu estaria tentando burlar a "lei do esquecimento"). -E o que adianta ficar parado nessa fila enorme, só vou perder mais tempo!
Foi então que recordei-me de selecionar melhor meus pensamentos, e a angústia deu lugar a uma serenidade e motivação de resolver as coisas pelo poder da palavra e da verdade.

Permaneci então na fila. Chegada a minha vez, dirigi-me à moça do balcão e contei-lhe todo o episódio. A moça, compadecida com o que ouvia, lamentou não poder me ajudar. Pobre moça, tão asfixiada pelas inúmeras leis e normas de conduta impostas por sua função que, por um mecanismo de defesa, sua mente nem fazia esforço em tentar entender quão absurda era aquela situação. Pedi então que apresentasse-me o responsável pelos vôos da companhia naquele aeroporto, no que fui prontamente atendido. Chegando lá, será mais instrutivo reproduzir o diálogo que tive com o homem:

-Boa tarde, amigo, esqueci meus documentos em casa, moro do outro lado da cidade e preciso embarcar daqui alguns minutos, o que faço?

-Boa tarde, sugiro que remarque seu vôo, é a única coisa que podemos fazer pra lhe ajudar. Para embarcar você precisaria de pelo menos um documento de identidade (citou-me pelo menos uns cinco destes papéis).

Mas eu não entendo -disse-lhe com uma expressão sensivelmente irônica, pois percebia que assim seria bom e nos sentíamos à vontade -qual a necessidade deste documento?
Respondeu-me -Bem, você é maior de idade, há uma lei federal que exige a apresentação deste documento para poder embarcar.

-Continuo sem entender, amigo, poderia explicar melhor a utilidade desta lei?

-Bem, é uma lei federal, não há como deixar um passageiro viajar sem se identificar sob risco de ser um mau elemento, etc. Enfim, é completamente inviável -disse-me já um pouco estressado com o inconveniente.

Diante daquela opotunidade, não pude me conter: -Perfeito! Então o sr acabou de resolver o meu problema! Meu amigo, eu só tenho boas intenções com esta viagem, lhe dou minha palavra! -disse-lhe de uma forma que de meus olhos emanava sinceridade.

Ele então respondeu -meu senhor, eu acredito em suas boas intenções, mas é uma lei federal, se fosse regulamento da empresa eu poderia até tentar lhe ajudar, mas em se tratando de uma lei federal eu nada posso fazer. Se ocorresse alguma coisa meu nome ficaria comprometido, me entenda.

Ao ouvir isto, não tive outras palavras senão concluir: -está certo, amigão, onde fica o guichê pra remarcar o vôo?

Pobre homem, por um lado acreditava em minhas boas intenções, e eu percebia sinceridade nas suas palavras. Por outro lado, embriagado por todos seus vícios sociais e morais, nada pôde fazer em meu favor!

Concluí tristemente que as pessoas desconfiam umas das outras. Não só desconfiam como, o que é pior, não sabem que desconfiam! Esta desconfiança transformou nosso mundo num império regido pelo papel, já não tem mais valor algum a palavra, senão uma assinatura soterrada por três ou quatro carimbos. Os valores essenciais já foram completamente substituídos por seus antípodas e a sociedade dorme tão profundamente que não vê o mundo desabando bem diante de seus olhos.

Por isso, convido-vos todos para a missão da mudança, e a mudança não está em protestos ou guerras que só alimentam ainda mais esse sistema torpe, a transformação é algo completamente íntimo, a história mesma tem nos ensinado que as grandes revoluções em nome da paz em verdade só nos distanciaram ainda mais deste ideal. A mudança deve ocorrer dentro de cada um de nós, e só há uma alternativa para mudar radicalmente. Agir com amor. Ao contrário do medo, o amor tem um padrão vibratório rápido e de alta freqüência, que proporciona uma sintonia real entre todos nós e todo o universo. Fenômenos como telepatia, deja vu, clarividência deixam de pertencer ao sobrenatural sob esta ótica. Esta universalidade do íntimo preenche todas as lacunas e explica todos os fenômenos que a ciência ainda não pôde compreender. Somente amando a todo instante vai-se aproximando da verdade e do princípio que dá sentido à vida.

Como tudo o que fazemos, amar é apenas uma questão de hábito, de prática e os benefícios de viver sob o padrão do amor são observáveis já no início desta mudança. Por isso, convido-vos a aniquilar os defeitos pela força do amor, esforçar-se para amar a todos e a todo o instante, amar especialmente aqueles que não nos amam. Este é o meu pedido, este é o meu apelo. Obrigado por ajudar a propagar a paz."


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Es Muss Sein!

Muss Es Sein? Es Muss Sein! (Tem que ser? Tem que ser!)


Dessas palavras nasce o tema do o último quarteto de cordas (nº 16, opus 135) de Beethoven, como uma inevitável voz do destino.
Nas palavras de Milan Kundera significa que "o que faz a grandeza do homem é ele carregar seu destino como Atlas carregava nos ombros a abóboda celeste. O herói de Beethoven é um halterofilista que levanta pesos metafísicos." (A Insustentável Leveza do Ser)

Mas por que dar voz ao destino? Porque o destino se faz por decisões irrevogáveis. Uma decisão pode ser contornada, mas o tempo não volta. Tomar uma decisão é tê-la tomado para toda a vida. Essa é a mesma força trágica que rege o tempo. Uma vez passado, é passado. Não posso voltar ao dia de ontem e deixar de comer os 500g de sorvete de rum com passas que comi. Essa decisão foi tomada. Muss En Sein? Es Muss Sein!

Ainda nas palavras de Kundera:
"Não existe meio de verificar qual é a decisão acertada, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que leva a vida a sempre parecer um esboço. No entanto, mesmo esboço não é a palavra certa, pois um esboço é sempre o projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro."

Esse é o quadro trágico e mágico da vida, feito às pressas, ao sabor da corrente, com imprevistos e expectativas. E que bom que o destino possui essa voz grave! Imagine uma vida completamente planejada. Todos os passos pré-estabelecidos. Um tabuleiro de jogo de xadrez. Causa intencional, efeito calculado. Causa intencional, efeito calculado. Ao imaginar isso ou morro de tédio ou estou certa de que não há mais vida humana no Planeta.

É ruim quando nos deparamos com uma decisão cujo efeito foi diferente do desejado. Passei por isso nessa última semana. Tomei a decisão de trocar de cidade. Parei minhas atividades em Porto Alegre e me mudei para Pelotas. Não deu certo. Então fiquei em silêncio para ouvir a voz do destino. Muss En Sein? Es Muss Sein! Era preciso. O que me moveu a tomar essa decisão? Mudar minha vida. Eu consegui isso! Consegui sair de uma situação passiva e monótona que hoje, aos 27 anos, não me servia mais.
Precisava mudar de cidade, precisava jogar coisas fora, precisava ter um tempo para pensar, estudar, testar a vida mesmo. Foi uma experiência enriquecedora demais e, principalmente, tinha de ser. Não porque existe determinismo, mas porque eu escolhi assim e canto em uníssono com essa voz impetuosa Es Muss Sein!

Então, para manter os amigos informados, aviso aos navegantes que estou indo hoje passar férias em Caçapava com a família. Fiquei 3 anos fazendo visitas trimestrais. Quero estar lá agora.
Perspectivas para depois das férias? Humm.. algumas, sim :) Mas isso só conto depois :)

Vou dirigindo pela estrada afora com a gata e as malas. Muss Es Sein? Es Muss Sein!


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

MSN




Finalmente entrei no meu MSN, abandonado há muito tempo.
Uso o chat do gmail. Mais prático. E nos últimos tempos até mesmo nesse tenho estado invisível ou off. Os campeões de uso são o twitter e o blog mesmo.

Pois bem, entrei no MSN disposta a organizar tudo. Achei tão estranho não lembrar de algumas pessoas, porque nunca adicionei alguém que não soubesse quem era...
Mas convenhamos, quem faz um e-mail soufeliz@hotmail.com* tá implorando pra não ser lembrado. *mero exemplo

Os esquecidos foram deletados, os que estavam quase sendo esquecidos ganharam observações (apêndices de memória), os que estavam bagunçados foram re-organizados.

A necessidade de fazer observações me fez pensar sobre como descrever essas pessoas no mínimo de tempo que estava disposta a dedicar para a tarefa: loirinha que fazia atelier do professor tal na faculdade; ex-namorado da fulaninha; carinha que jogava xadrez online comigo; guria magrinha e morena que conheci nas aulas de axé (hipótese..huahaua); fotógrafo que fez tal trabalho...
Fiquei pensando como as pessoas me descreveriam... Certamente cada uma me descreveria de uma forma. Sou bem diferente de acordo com o tempo e lugar. Morena, loira, ruiva, cabelo na cintura, cabelo curto, professora, aluna, mais magra, mais gorda, carrancuda, extrovertida, anti-social, sociabilíssima, motivada, entediada, divertida, brava. Pentapolar. Nunca sou, sempre estou.

Aliás, se quiser falar comigo por chat, é só chegar. Estou quase sempre invisível, mas estou ali.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Elefante


Fazia um bom tempo que eu queria assistir esse filme lançado em 2003.

A história é uma livre adaptação da tragédia americana no Instituto Columbine em 1999, onde dois adolescentes atiraram em alunos e professores.

O filme se caracteriza pela passividade e ausência de julgamento moral dos assassinos. Retrata um dia aparentemente normal na visão de vários personagens e a sucessão de eventos que culminaram na tragédia. Simples como um jogo de videogame.

Gostei da fotografia, das cores e da narrativa não-linear, explorando vários pontos-de-vista sobre aquele dia minutos antes do tiroteio.

São mostrados fatos. Não há explicações, não há justificativas. Para o expectador resta a perplexidade e a perpetuação da pergunta do que motivou tudo aquilo.


Pesquisando um pouco, soube que o nome do filme faz menção a uma frase atribuída ao escritor Bernard MacLaverty ao dizer que esses problemas com adolescentes "são tão fáceis de ignorar quanto ter um elefante na sala de jantar".

Uma coisa que me chamou bastante atenção foi um dos meninos assassinos tocar Beethoven numa das cenas. Impossível não associar com Laranja Mecânica. Céus, mais um filme de jovens delinquentes e violentos que tem como tema de fundo Beethoven! Por que não Wagner, hein?

A conclusão que tiro dessa história toda é que eu tenho muito, MUITO medo do silêncio. Podemos até ignorar os elefantes na mesa de jantar, mas não podemos ficar muito surpresos se sua tromba virar a mesa.

Isso vale para adolescentes, adultos, cachorrinhos, papagaios e periquitos: a paz não combina com o silêncio.


Quando Nietzsche Chorou

B: Você deve ter tanto medo quanto eu tenho da morte e da ausência de Deus.

N: Devemos morrer. Mas na hora certa. A morte só não é aterrorizante quando a vida já se consumou. Já consumou a sua vida?

B: Eu já consegui muitas coisas.

N: Mas aproveitou a vida? Ou deixou-se levar por ela? Você está fora da sua vida... sofrendo... por uma vida que nunca teve?

B: Eu não posso mudar minha vida! Tenho minha família, meus pacientes e alunos. É tarde demais.

N: Não posso lhe dizer como viver de outra forma.Viveria segundo o plano de outra pessoa. Mas talvez possa lhe dar um presente, Josef. Poderia lhe dar um pensamento.
E se um demônio lhe dissesse que esta vida da forma como vive e viveu no passado você teria de vivê-la de novo porém inúmeras vezes mais. Não haverá nada novo nela. Cada dor, cada alegria, cada coisa minúscula ou grandiosa retornaria para você, a mesma sucessão, a mesma sequência várias vezes, como uma ampulheta do tempo. Imagine o infinito. Considere a possibilidade de que cada ato que escolher escolherá para sempre. Então, toda vida não-vivida permaneceria dentro de você não-vivida. Por toda a eternidade. Gosta dessa ideia? Detesta? Qual das duas?

(Diálogo entre Breuer e Nietzsche)


Acabei de assistir a adaptação do best-seller para o cinema. O filme deixa a desejar em vários aspectos. O que mais me incomodou: algumas atuações forçadas e a representação muito TOSCA das cenas de sonhos. Também senti falta da densidade de muitas passagens do livro.
Fora isso, o filme tem seus encantos, como a cena em que Nietzsche fica sobre o piano regendo uma orquestra imaginária com a Cavalgada das Valquírias ao fundo.

O filme trata do mesmo assunto do livro: um encontro fictício entre o filósofo Friedrich Nietzsche e o médico Josef Breuer, professor de Sigmund Freud.
Nietzsche está em desespero com suas fortes enxaquecas e uma frustração amorosa, problema que se agrava pela inexistência de contato social e a incompreensão do público com relação à sua filosofia.
Breuer é chamado para curá-lo mas no meio do percurso os papéis se invertem e Nietzsche acaba conduzindo o processo de auto-conhecimento onde o desespero do próprio Breuer é que acaba por vir à tona.
Para quem gosta de psicanálise mas entende pouco (como eu), é um filme bem instigante.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Espirros pensados

Ideias são como os telefonemas aguardados. É só deixar de esperar por eles e sair de perto que surgem. Nas horas mais inoportunas.
Esses dias fui no correio levar uma encomenda. No meio do caminho começou a me dar uma aflição tremenda porque me surgiu 2 ou 3 frases prontas de algo que há um tempo venho pensando. Aí tentei melhorar alguma parte, mas fiquei com medo de embaralhar demais e acabar perdendo tudo.
Cheguei no correio, peguei um lenço de papel que tinha na bolsa e fui até a mesinha usar a caneta deles. Escrevi. Alívio.
Sentei para esperar a chamada do guichê. Reli o que tinha escrito e achei um lixo. Mas guardei. Depois de toda aquela coceira pra colocar pra fora, não valia a pena descartar por impulso.
Algumas frases são como espirros. A cabeça fica "a...a...a...AAA..." e não se pensa em outra coisa a não ser concluir, dar cabo, transportar da cabeça para o papel aquela coisa intrusa e inconveniente. E o pior é que muitas vezes, aquela expulsão de algo que sai de dentro não é sequer uma ideia, é vento.