"Vou narrar um fato interessante que me aconteceu durante o dia o qual servirá de background para uma pequena reflexão.
Tudo começou ontem à noite, em minha casa no Rio de Janeiro. Como no dia seguinte (hoje) faria minha viagem de férias para minha terra natal e costumo esquecer religiosamente algum acessório de maior importância, optei por já ir fazendo uma lista das coisas que iria pôr na bagagem pela manhã. De manhã bem cedo, fiz então minha mala com base nesta pequena lista e então segui para o aeroporto satisfeitíssimo com o sucesso de minha "estratégia de auxílio à atenção". Já na fila do check-in dei-me por conta que toda aquela precaução havia culminado no esquecimento de algo que infelizmente é essencial: a carteira de identidade!
Naquele momento, fui tomado por uma profunda angústia. Exclamava-me internamente: -Que coisa, todo o cuidado que tive dessa vez! Seria melhor que tivesse esquecido intencionalmente a escova de dentes, sei lá... (bem que aí não seria esquecimento e eu estaria tentando burlar a "lei do esquecimento"). -E o que adianta ficar parado nessa fila enorme, só vou perder mais tempo!
Foi então que recordei-me de selecionar melhor meus pensamentos, e a angústia deu lugar a uma serenidade e motivação de resolver as coisas pelo poder da palavra e da verdade.
Permaneci então na fila. Chegada a minha vez, dirigi-me à moça do balcão e contei-lhe todo o episódio. A moça, compadecida com o que ouvia, lamentou não poder me ajudar. Pobre moça, tão asfixiada pelas inúmeras leis e normas de conduta impostas por sua função que, por um mecanismo de defesa, sua mente nem fazia esforço em tentar entender quão absurda era aquela situação. Pedi então que apresentasse-me o responsável pelos vôos da companhia naquele aeroporto, no que fui prontamente atendido. Chegando lá, será mais instrutivo reproduzir o diálogo que tive com o homem:
-Boa tarde, amigo, esqueci meus documentos em casa, moro do outro lado da cidade e preciso embarcar daqui alguns minutos, o que faço?
-Boa tarde, sugiro que remarque seu vôo, é a única coisa que podemos fazer pra lhe ajudar. Para embarcar você precisaria de pelo menos um documento de identidade (citou-me pelo menos uns cinco destes papéis).
Mas eu não entendo -disse-lhe com uma expressão sensivelmente irônica, pois percebia que assim seria bom e nos sentíamos à vontade -qual a necessidade deste documento?
Respondeu-me -Bem, você é maior de idade, há uma lei federal que exige a apresentação deste documento para poder embarcar.
-Continuo sem entender, amigo, poderia explicar melhor a utilidade desta lei?
-Bem, é uma lei federal, não há como deixar um passageiro viajar sem se identificar sob risco de ser um mau elemento, etc. Enfim, é completamente inviável -disse-me já um pouco estressado com o inconveniente.
Diante daquela opotunidade, não pude me conter: -Perfeito! Então o sr acabou de resolver o meu problema! Meu amigo, eu só tenho boas intenções com esta viagem, lhe dou minha palavra! -disse-lhe de uma forma que de meus olhos emanava sinceridade.
Ele então respondeu -meu senhor, eu acredito em suas boas intenções, mas é uma lei federal, se fosse regulamento da empresa eu poderia até tentar lhe ajudar, mas em se tratando de uma lei federal eu nada posso fazer. Se ocorresse alguma coisa meu nome ficaria comprometido, me entenda.
Ao ouvir isto, não tive outras palavras senão concluir: -está certo, amigão, onde fica o guichê pra remarcar o vôo?
Pobre homem, por um lado acreditava em minhas boas intenções, e eu percebia sinceridade nas suas palavras. Por outro lado, embriagado por todos seus vícios sociais e morais, nada pôde fazer em meu favor!
Concluí tristemente que as pessoas desconfiam umas das outras. Não só desconfiam como, o que é pior, não sabem que desconfiam! Esta desconfiança transformou nosso mundo num império regido pelo papel, já não tem mais valor algum a palavra, senão uma assinatura soterrada por três ou quatro carimbos. Os valores essenciais já foram completamente substituídos por seus antípodas e a sociedade dorme tão profundamente que não vê o mundo desabando bem diante de seus olhos.
Por isso, convido-vos todos para a missão da mudança, e a mudança não está em protestos ou guerras que só alimentam ainda mais esse sistema torpe, a transformação é algo completamente íntimo, a história mesma tem nos ensinado que as grandes revoluções em nome da paz em verdade só nos distanciaram ainda mais deste ideal. A mudança deve ocorrer dentro de cada um de nós, e só há uma alternativa para mudar radicalmente. Agir com amor. Ao contrário do medo, o amor tem um padrão vibratório rápido e de alta freqüência, que proporciona uma sintonia real entre todos nós e todo o universo. Fenômenos como telepatia, deja vu, clarividência deixam de pertencer ao sobrenatural sob esta ótica. Esta universalidade do íntimo preenche todas as lacunas e explica todos os fenômenos que a ciência ainda não pôde compreender. Somente amando a todo instante vai-se aproximando da verdade e do princípio que dá sentido à vida.
Como tudo o que fazemos, amar é apenas uma questão de hábito, de prática e os benefícios de viver sob o padrão do amor são observáveis já no início desta mudança. Por isso, convido-vos a aniquilar os defeitos pela força do amor, esforçar-se para amar a todos e a todo o instante, amar especialmente aqueles que não nos amam. Este é o meu pedido, este é o meu apelo. Obrigado por ajudar a propagar a paz."